ROUPAS DE DANÇA DO VENTRE

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Video de Dança do Ventre - Classicas Samia Gamal



Nasceu no ano de 1924 com o nome de Zainab Ibrahim Mahfuz, em Wana, uma pequena cidade egípcia. Pouco depois de seu nascimento, sua família mudou-se para o Cairo querendo ficar mais próxima do famoso bazar Khan el Kalili. No Cairo, Zainab conheceu Badia Masabni e aceitou o convite para entrar em sua companhia de dança. Foi Badia quem deu o nome de Samia Gamal a Zainab. Samia trabalhou na companhia de dança e no casino de Badia ao lado de Taheya Carioca, que foi sua amiga e rival. Depois de um tempo Samia começou sua carreira solo e contribuiu para que a Dança do Ventre viesse a ser respeitada. Samia é considerada por muitos, a segunda melhor bailarina (depois de Taheya), mas há quem considere Samia a melhor.
Samia Gamal usava muito movimentos de dança clássica e de dança latina em seus solos. Suas apresentações tiveram muita influência do cinema norte americano, no estilo dos musicais dos anos 40, pois foi ela quem primeiro levou a dança para a América. Samia foi a primeira bailarina a usar salto alto em suas apresentações, e também tornou o uso do véu muito popular. Um facto muito importante na vida de Samia foi seu romance com o cantor e actor egípcio Farid el Atrace, essa parceria rendeu muitos filmes e canções. O romance de Samia e Farid não durou muito, eles separaram-se, Samia ficou deprimida, mas depois de se recuperar, trabalhou em filmes internacionais como "Valley of the Kings"(1964), no qual ela fez algumas danças magníficas e trabalhou ao lado de Robert Taylor. Outro filme internacional que Samia trabalhou foi "Ali baba e os quarenta ladrões", do diretor francês Jacques Becker.Samia casou-se com o milionário texano Sheppard King, que se converteu ao islamismo por sua causa, mas esse casamento não durou muito. Em 1958 Samia casou-se com Roshdy Abaza, um famoso actor egípcio, no qual fizeram filmes juntos. Samia parou de dançar em 1972 quando estava com 60 anos, mas logo voltou a dançar até os 80 anos de idade. Samia gamal morreu no dia primeiro de Dezembro de 1994, no Cairo.

Video de Dança do Ventre - Badia Masabni



Badiaa Masabni, madrinha da dança oriental, nasceu em Lebanon, a qual naquela época ainda fazia parte da Síria. Mudou-se para o Egito onde manteve um bom padrão de vida trabalhando como dançaria e atriz. Alguns anos depois no Cairo - centro da indústria de entretenimento do Oriente Médio - ela abriu o primeiro "music hall" Egípcio. Badiaa chamou seu cabaré de "Opera Cassino" (este era o nome oficial), mas ele também era chamado de "Cassino da Badiaa" ou "Cabaré da madame Badiaa". O clube noturno oferecia uma grande variedade de entretenimento como canto, dança e às vezes shows cômicos e de mágica. Badiaa o fez no modelo europeu a fim de atrair tanto os visitantes do Oriente Médio quanto os europeus que, cada vez mais, por lá passeavam. Na verdade, seu cassino foi freqüentado por uma grande variedade de pessoas de todos os lugares do mundo. Mas era mais que um cabaré, o "Cabaré da madame Abadiaa" era um popular ponto de encontro da sociedade de Cairo, freqüentado pelo "Le beau monde " (O Belo Mundo). Em contrapartida, ofereceu shows especiais de entretenimento para outras mulheres se apresentarem retirando o privilégio das mulheres muçulmanas. Comediantes como Assyrian Naguib al-Rihani teve sua vez nos palcos da Abadiaa. Rihani, ou, "Kesh-Kesh Bey" tornou-se o único marido de Badiaa, os quais viveram juntos por muito tempo.

Nos anos quarenta a Celebração de Gisé no music hall - Cassino Badia - fez história durante a segunda guerra mundial quando oficiais, trapaceiros e espiões misturaram-se no conforto das famosas dançarinas do ventre da madame Badiaa. Falhando em vencê-la, a máquina de propaganda de Hitler achou necessário atacar madame Badiaa acusando-a de ser traidora, uma perigosa espiã e uma agente secreta britânica. Sabia-se que o filho de Churchill e o Duke de Gloucester freqüentavam o cassino.

Uma das maiores contribuições que ela fez à dança oriental foi livrá-la de da tradição dos chaabi ou dança popular. Onde antes a dança do ventre possuía um limitado repertorio de movimentos com os braços, ela teve a idéia de não somente mantê-los do lado, mas usá-los também acima da cabeça com mais movimentos fluentes, conhecidos como "braços cobras". Não somente como movimentar os braços, mas como usar mais o espaço do palco foram uma das contribuições das idéias de Abadiaa. O ghawazee e almeh eram feitas quase sempre no mesmo local. Agora as dançarinas tinham de usar todo o palco, o qual era bem maior do que costumava ser. A maioria das dançarinas tradicionais improvisava, mas Badiaa Masabni foi pioneira no uso da coreografia. Como o público que ficava muito longe do palco quase não conseguia acompanhar o show, adereços como o véu foram incorporados na dança. Talvez ela havia sido inspirada por um dos shows de Isadora Duncan (1877-1927) em Paris. O véu produzia maior efeito no público de trás. De fato, o uso do véu e da roupagem dividida em duas partes, foi inspirado nas produções de Hollywood assim como nos pôsteres de filmes nas mostras de teatro.

Acima disso, outra grande idéia da Madame Masabni foi adicionar músicos clássicos treinados na tradicional req, derbake e nay ou "zurna". O "tagsim" ou improvisação musical mudava o ritmo do "maqsoum" ou batida de "baladi". Takasim era reproduzido no tão famoso ritmo "shifti telle" ou al "wahda attawilla" ou de outra forma no "masmoudi", uma batida lenta de "beledi". O ritmo "shitfi telle" não era egípcio, mas do leste e viajou pela estrada da seda da Ásia central para a Turquia e Grécia, naquela época território do império Otomano. Graças ao baixo volume do shifte telli, outros instrumentos puderam ficar em foco durante as partes improvisadas. Junto à percussão da orquestra eram alinhados violinos extras, um violoncelo, "oud" e acordeom. As composições tornaram-se mais complexas e os movimentos tiveram de acompanhá-las. Arranjos musicais alterados por improvisação inspiravam dançarinos a apresentarem algo que alegrasse tanto o público ocidental quanto o oriental. Agora, todos os elementos juntos fundiram a dança do ventre em rags sharki ou dança oriental. O nome da dança do ventre veio dos viajantes franceses do século IX que por não estarem familiarizados com os movimentos dos ghawazee os descreveram em suas histórias de viajem como "danse du ventre". Naquela época, antes do século XX, o nome foi afixado a idéia da dança, mas, como percebemos, tornou sua descrição bastante limitada.

Foi no lendário cabaré da Badiaa que, durante a década de trinta e quarenta, as duas mais influentes e inovadoras mulheres do século XX da dança oriental foram treinadas por Badiaa Masabni - que as treinou muito profundamente. Elas se tornaram as mais famosas e extraordinárias dançarinas do meio do século: Tahiya Carioca e Samia Gamal.

http://www.belly-dance.org/badia-masabni.html

Tradução: Amira Zaib

Video de Dança do Ventre - Taheya Carioca



A dançarina de dança do ventre Taheya Carioca (Ismaïlia,1915 - Caïro,1999) dançou na maioria dos palcos árabes e recebeu vários papéis em filmes egípcios com famosas estrelas árabes e cantores-compositores Mohamed Ahdelwahab e farid Ak Atrache.

Nascida com o nome de Abla Muhammad Karim, Tahia Karioca tornou-se umas das lendas da dança oriental. Mohamed Karim - seu pai - deixou-a duas heranças: Seu amor pelas artes e seus muitos casamentos. Seu pai casou-se 7 vezes e, mais tarde, Tahena oficialmente dobrou esse número! Tahiyya estudou na escola de dança Ivanova, antes de se mudar para a rua Mohammed Ali, equivalente à Broadway em Cairo. Ela foi chamada de Carioca em conexão com o samba brasileiro, o qual ela costumava usar em suas performances no início de sua carreira quando ela dançava no cassino de Badia Massabni, durante a década de 30. Depois de se tornar fascinada por ritmos brasileiros, ela pediu ao seu derebki (baterista) Zaki para tocar algo similar em sua "tabla". Assim como Mohamed Abdelwahad fez em suas composições, Tahia introduziu ritmos latinos americanos em seu show. Assim, ela tornou-se Tahia Carioca e seu percussionista, Zaki Carioca.

A competição no cabaré da Badia era dura, especialmente contra Samia Gamal a qual também dançara lá no começo da carreira.

As performances de Carioca duravam entre 20 a 25 minutos no máximo. Mas sua fama explodiu entre 1930 e 1940 tão fortemente que até o rei do Egito, Farouk, a convidou para seu aniversário. Seu estilo era totalmente diferente de sua rival, Samia Gamal. Seu primeiro filme "La femme et le patin" propulsionando sua carreira nos filmes que começou em 1935 e terminou com mais de 120 filmes. Sem se esquecer das peças de teatro e novelas da TV.O cinema e a T V fizeram Tahia conhecida por toda a Arábia.

Tahia era uma mulher muito determinada. Era esse traço de sua personalidade que a fez fazer sucesso no difícil mundo das danças do ventre no Cairo. Mas ela também foi uma grande dançarina, sem dúvida nenhuma. Ninguém nunca se aproximou se sua estupenda virtuosidade nas brincadeiras com palavras, gestos e ironia. Ela deixou sua família em Ismaïla após uma disputa com seu pai aos 12 anos e pegou um trem para Cairo. Aos 31 anos ela se tornou uma lenda da dança oriental.

Carioca casou-se 14 vezes. Na sua lista constam atores renomados como Rushdi Abaza bem como cantores, no caso de Muharram Fuad.

Assim como Samia Gamal, ela também se casou com um americano que se converteu para o Islamismo e a levou para os EUA. O casamento não durou muito, ela sentia falta do Egito e as diferenças culturais fizeram o resto. Ela se divorciou dele e retornou ao Egito. Mais tarde ela mudou-se para o Islamismo ortodoxo. Tahia tornou-se um ídolo para os russos, americanos, alemães, ucranianos, italianos, armênios, holandeses e franceses. Todos se sentiam atraídos pela sua impar genialidade no gênero. Taheya Karyooka provou ser uma fonte de inspiração para uma nova geração de dançarinos. Tahiyyah Karioka morreu em 20 de setembro de 1999 aos 79 anos de idade de ataque cardíaco.

http://www.belly-dance.org/tahia-carioca.html

Tradução: Amira Zaib

Video de Dança do Ventre - Classicas Naima Akef



Nasceu em 7 de outubro de 1932, em Tanta, no delta do Nilo, na família Akef. Havia um circo famoso onde a família inteira participava apresentando ou nos bastidores, tanto os jovens quanto os velhos. O Crico Akef era famoso com seus animais treinados e selvagens domesticados e com truques espertos exibidos pelos não tão treinados, bem como por incríveis apresentações de dança e acrobacias extravagantes.

Esta é a atmosfera da família onde Naima Akef nasceu e cresceu, indicando que uma estrela especial estava sendo desenvolvida neste ambiente ideal e apropriado, e bronta para ser trazida à luz.

A família Akef morava no Cairo, no distrito de Bab El Khalq, entretanto viajava por todo o país e mesmo pelo mundo com suas turnês, especialmente na Rússia em 1957, onde Naima apresentou sua dança em um festival juvenil internacional e ganhou o primeiro prêmio de dança do festival, onde se apresentaram dançarinas de mais de 50 países. Uma foto comemorativa desta vitória está exposta na parede do Hall da Fama do Teatro Bolshoi.

O avô de Naima, Ismail Akef, um professor de ginástica e treinador na Academia de Polícia do Egito, criara o Circo Akef ao se aposentar. Ismail abrigou naima sob suas asas, reconhecendo seu talento como dançarina e no palco desde cedo, ajudou-a a modelar suas particularidades em uma artista histórica que alcançou o estrelato com o cinema egípcio. Naima foi descoberta primeiro pelo diretor Abbas Fawzy, que apresentou-a a seu irmão, o tamb´m diretor Hessein Fawzy, que percebeu o talento natural de Naima para a tela e deu a ela o papel principal na primeira vez em que aparecia, no filme "El Eish Wel malh" (O pão e o sal – no Egito, uma vez que as pessoas tenham partido um pão juntas, i.e. partilhado uma refeição, é considerado um sacrilégio desonrar as regras de lealdade não faladas, assim, El Eish Wel Malh, o pão e o sal). Naima estreou neste filme com o cantor Saad Abdel Wahab, primo do legendário cantor e compositor Mohammed Abdel Wahab. O filme foi um grande hit e um sucesso para o estúdio Nahhas Film onde fora filmado como primeira produção. Foi um início brilhante para a jovem Naima, que tinha vários números de dança durante o filme, os quais ela apresentou cuidadosamente como em todos os seus filmes futuros, lado a lado com sua atuação e canto.

Após seu primeiro filme, naima teve um sucesso após o outro como "Lahalibo [como alguém poderia traduzir isto??] (Aquele que é tão quente que é comparado ao Ligeirinho), "Baladi We Kheffa" (Baladi e a luz do coração), "Baba Aaris" (Meu pai é o acompanhante da noiva), "Noor Oyouni" (A luz dos meus olhos). Este último foi feito após a apresentação de um número de dança de Naima com o legendário Dr. Mahmoud Reda, criador e dançarino do Grupo Reda. O número foi chamado "Leil We Ein" (ao invés de dizer Elil ya Ein, como se canta nos mawwals egípcios (lamentos). Leil, sendo a noite, e Ein, sendo os olhos, que passaram a noite sem piscar, pensando na amada). O número foi feito para o Concelho de Artes do Egito.

Os filmes de Naima seguem além dos que aparecem a seguir, mas os principais são "Forigat (***), "Fataah Wel Sirk" (Uma Garota e o Circo), "El Nemr" (O Tigre), "Halawet El Hob" (A Doçura do Amor), "Gannah We Nar" (Um Céu e Um Inferno), "Melyon Geneih" (Um Milhão de Libras), "Arbaa Banat We Zabet" (4 Garotas e um Oficial), "Madraset El Banat" (A Escola de Garotas), "Tamr Henna" este é o nome de uma flor egípcia, que era o nome da personagem de Naima no filme, "Aziza" and "Ahebbak Ya Hassan" (Amo você, Hassan).

A dança egípcia corria livre nas veias de Naima. Foi seu primeiro amor e a melhor maneira de se expressar que ela usava na sua vida circense que servia como uma plataforma para sua dança, enquanto tentava e apresentava novas idéias, coreografias e músicas. Ela nunca tomou atalhos no que se refere a medir despesas, treinar ou fazer as próprias roupas ou das dançarinas do cenário e dos cantores e outros participantes que a acompanhavam nos shows. Ela era muito consciente de seu peso e mantinha-o sob estrito controle, para continuar parecendo jovem e flexível. Naima sacrificou até mesmo os prazeres da maternidade, deixando para dar á luz sua criança um pouco antes de seu próprio falecimento.

Os peritos em dança egípcia têm certeza que naima não foi influenciada pelos estilos de outras dançarinas, mas sim criou seu próprio estilo e tinha um sentimento pessoal da interpretação pela dança da música egìpcia, a ponto de criar O NOVO no palco e em ensaios. Freqüentemente, Naima coreografava suas próprias seqüências, mas ficou muito famosa por ser disciplinada e obediente a seus treinadores, técnicos e coreógrafos.

No mundo da arte, naquela era do Egito, Naima foi muito famosa por sua amizade, doçura e disponibilidade para ajudar todos os seus amigos próximos e associados, bem como sua equipe de filmagem e mimbros do set. Nunca era egoísta, e sempre colocava os outros á frente dela mesma. Há uma famosa história sobre um dia, em uma filmagem, após uma cansativa manhã de filmagem, durante o descanso após o almoço, naima notou que uma companheira dançarina do filme estava se esforçando para fazer um movimento acrobático que ela teria que fazer e enfrentava claras dificuldades para executar este movimento, que deveria ser filmado logo após o almoço. Ao invés de almoçar e descansar merecidamente, Naima foi até a garota, mostrou a ela como o passo devia ser feito com facilidade, e fez isso diversas vezes e treinou e ajudou-a até que ela conseguisse obter êxito, para deleite da garota e aplausos em massa da equipe de filmagem, dos atores e do diretor.

Naima raramente dançava em casas noturnas, mas sim em seus filmes e tablados teatrais que ela regularmente organizava no Egito e fora. Aquelas não eram apresentações de dança puramente egípcia, mas sim uma expressão livre e mais de uma música. Ela usava movimentos para expressar emoções e sentimentos, gestos, direta ou indiretamente, com expressão crporal que era uma testemunha do esforço selvagem de Naima em refletir seu talento artístico e sua flexibilidade e agilidade corporal.

Naima era muito orgulhosa de seu sucesso, que ela atingira por seu próprio mérito e sem ter rastejado em casas noturnas por um longo tempo. Ela se lembrava de como, quando sua mãe e seu pai se separaram, ela formou um ato cômico e acrobático que realizou em diversos clubes até Ter a chance de trabalhar na famosa casa noturna de Badeia Masabny, onde a jovem naima brilhava como uma estrela e era uma das poucas garotas a cantar e dançar.

Naima também recorda-se de ser a favorita de Badeia, o que causava a maior inveja nos corações de outras dançarinas de cenário do clube, até um dia em que elas se ajuntaram e tentaram bater nela, mas graças à sua força e agilidade, ela conseguiu se defender e inverter a situação. Mas uma vez que aquelas dançarinas eram uma fonte de bons proventos para Badeia, naima foi despedida do clube e foi trabalhar em outro famoso ponto noturno, o Clube KIT KAT, onde conheceu o diretor cinematográfico Abbas Kamil, que apresentou-a a seu irmão, o diretor Hessein Fawzy, famoso por seus filmes musicais. Esta parceria foi um grande sucesso para ambos, e eles foram casados por nove anos, embora não tenham tido filhos. Alguns anos após o divórcio, Naima casou-se com seu contador, a quem deu um filho que trabalhava na área musical.

Naima entrou nos livros de história da dança do Egito como uma de suas dançarinas mais inovadoras, criativas e renovadas; ela também entrou nos livros de história do cinema como a primeira mulher a estrelar o primeiro filme inteiramente colorido do Egito, "Baba Aaris" (Meu pai é o acompanhante da noiva), dirigido por seu primeiro marido Hessein Fawzy em 1951.

Video de Dança do Ventre - Classicas Suheir Zaki



Suheir Zaki
Suheir Zeki nasceu em Mansoura, onde ela e sua família viveram até seus nove anos, quando se mudaram para Alexandria. Música e dança não eram o forte da família: seu pai trabalhava no ramo de construção civil e sua mãe era enfermeira. Mas Suheir se apaixonou por ambos desde pequena e aprendeu sozinha a dançar, ouvindo o rádio. Seu talento natural se revelou cedo e ela era notada nas festas de aniversário e casamento de seus amigos e parentes.

Seu pai faleceu quando ela ainda era bem nova; ele não aprovava o seu desejo de dançar em público. Sua mãe casou-se de novo e seu padrasto a ajudou muito em sua carreira, arrumando sua orquestra e se tornando seu empresário.

Ela trabalhou por um tempo nos bares da Alexandria. Era a única dançarina que não usava maquiagem e peruca na época. Souheir começou a ficar famosa quando, em 1962, uma festa de celebridades em Alexandria foi transmitida em rede nacional. Ela foi notada pelo diretor de TV Mohammed Salem, que foi então em busca da "garota de cabelos longos" e queria transformá-la em apresentadora de TV. Mas sua voz não era boa e ela queria focar na dança. Não passou no teste mas não deixou de entrar para a televisão.

Mudou-se para o Cairo, onde se apresentava em casamentos e bares, e participava de alguns programas de TV como On The Banks Of The Nile, Adwa’ Al Medina e Zoom. Costumava ouvir a música uma vez antes de se apresentar e dançava de improviso, sem nenhum ensaio anterior.
Embora a televisão tenha ajudado a fazer o nome de Suheir, foram as apresentações nos bares e casamentos que a sustentavam financeiramente. As dançarinas daquela época eram as estrelas dos cabarés, ao contrário de agora, quando os cantores se destacam.
O primeiro bar que dançou foi o Auberge, na Rua Haram. Suas contemporâneas eram Ne’met Mokhtar, Zeinat Olwi e, na geração seguinte, Nagwa Fouad, Nahed Sabri, Zizi Mustafá e Fifi Abdo – que dançava um pouco abaixo na rua, no Arizona.
A competição entre as dançarinas era acirrada; elas tentavam superar umas às outras no tamanho da orquestra, na riqueza das roupas, etc. Suheir conta que a sua maior rival era Nagwa Fouad: “Se íamos dançar no mesmo lugar na mesma noite, corríamos para vestir-nos e levar a orquestra ao palco antes da outra”.
Souheir dançou nos casamentos das filhas de Gamal Abdel Nasser e Anwar Sadat e foi a primeira que ousou dançar as reverenciadas músicas de Umm Kulthoum no palco de um bar. A cantora elogiou a performance da dançarina e da orquestra ao vê-los interpretar a sua música. Essa ousadia ajudou a disseminar a sua fama pelo mundo árabe.
O cinema também ajudou a divulgar o seu nome. Ela fez mais de 100 filmes ao longo de sua carreira, ao lado de estrelas das telas como Farid Shawqi, Shokoukou e Shadiya. Mas ao contrário das demais dançarinas como Tahia Carioca, Naima Akef e Samia Gamal, ela nunca gostou muito de atuar. Seus papéis eram geralmente pequenos; ela ia para dançar. Mas foi num destes filmes que conheceu seu marido, Mohammed Amara.
Ela se tornou uma das dançarinas mais famosas nos anos 60 e 70. A sua foto tornou-se uma marca registrada de várias fitas didáticas e discos de dança do ventre.
A dançarina foi chamada certa vez de “Oum Kolthhoum da dança” pelo presidente do Egito, Anwar Sadat. “Enquanto ela canta com a voz, você canta com o corpo”, ele lhe disse. Nos anos 60, recebeu elogios e medalhas dos governantes da Tunísia, Irã e Egito.

Se um músico errava uma nota ela sabia quem tinha sido, mesmo que estivesse de costas para eles. Este seu ouvido meticuloso para a música, a fez ganhar o respeito de toda a orquestra que a acompanhava.
No final dos anos 80, o cenário da dança começou a mudar e Suheir não aprovou essas mudanças. A dança foi tirada da televisão, o que a deixou muito triste. Além disso, o visual das dançarinas estava mudando. As roupas volumosas com saias de chiffon deram lugar à lycra; e ela não via com bons olhos essa exposição excessiva do corpo.
As dançarinas estrangeiras, principalmente as russas, começaram a chegar ao Egito- o que ela também não gostava. “Fiquei impressionada vendo a música fazendo uma coisa e elas fazendo outra completamente diferente!", afirmou.
Hoje em dia ela não dança mais, mas continua respeitada no mundo inteiro. Assim como Tahia Carioca e Samia Gamal, suas maiores fontes de inspiração, Soheir Zack também se tornou uma legenda.

Fontes:

Cairo Times, autoria de Francesca Sullivan
Site Angle Fire
http://www.belly-dance.org